Lições nada convencionais sobre liderança

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Alcançando o Mundo em Família
outubro 28, 2016
Liderança

Desde a época de calouro na faculdade tenho estudado sobre liderança, mas há uns meses isso tem se intensificado bastante. Em uma viagem recente para a Malásia, tive a oportunidade de participar de um treinamento chamado ‘Developing Global Leaders’. Fizemos devocionais baseadas no livro de Daniel que me inspiraram muito. Os dois primeiros capítulos desse livro têm muito a ensinar quanto ao desenvolvimento de um líder jovem. Se possível, leia com atenção esses dois capítulos antes de continuar a leitura do próximo parágrafo.

O início do livro explica um pouco do contexto da história, certo? Sabemos que o rei da Babilônia tinha vários sábios e magos a sua disposição. Mesmo assim, estava procurando por mais sabedoria e fez um complexo recrutamento logo que conquistou o povo hebreu. Daniel e seus amigos participaram do que talvez tenha sido o primeiro programa trainee da história da humanidade. Eles iniciaram uma espécie de job rotation por três anos, onde tiveram que aprender tudo sobre o sistema babilônico: cultura, alimentação, idioma, tradições, símbolos, aspectos organizacionais e etc. Até seus nomes foram mudados para que pudessem se identificar melhor com a nova realidade. Para complementar essa ideia, assista esse vídeo do Carlos Nomoto. Ele é uma grande referência de líder cristão para mim e atualmente preside a WWF, maior ONG de sustentabilidade do mundo.

Bom, como estou cansado daquelas dicas nada práticas de liderança que a gente lê e já esquece depois de poucas horas, resolvi focar aqui em 3 lições principais e nada convencionais que podemos aprender com Daniel. Espero que seja algo pelo menos um pouco diferente!

Lição 1: na dúvida, invista em relacionamentos com pessoas influentes mesmo que elas não tenham nada a ver com você

Em Daniel 1:8-16, podemos ver a primeira atitude da firmeza de Daniel e seus amigos. Com o programa de trainee em andamento, eles tiveram que fazer várias concessões, inclusive os novos nomes, o que acho que foi bem desconfortável. Mas comer alimentos dedicados a outros deuses? Isso não! E Daniel falou com o chefe dos oficiais pedindo permissão para comer apenas vegetais e água. Mais adiante em Daniel 2:14, é possível perceber que, mesmo com o decreto de matar todos os sábios da Babilônia, Daniel conseguiu falar com o comandante da guarda do rei para negociar o prazo do decreto. Agora um detalhe: como Daniel teve acesso a esses caras? O primeiro não era somente um dos oficiais, mas o chefe de todos eles. O segundo não era um guarda qualquer, mas o comandante de todos os guardas. Acredito que existem aqui duas possibilidades: ou Daniel investia muito em relacionamentos com pessoas chaves da organização babilônica ou então Deus preparava conexões e encontros inesperados entre Daniel e essas pessoas. Na dúvida, melhor investirmos em relacionamento com as pessoas de muita influência no ambiente onde estamos. Quem são os chefes de oficiais e os comandantes da guarda real no seu contexto empreendedor? Eles podem pensar completamente diferente de você e ter valores opostos aos seus. Mas não interessa, Deus pode usar essa conexão sua com eles para fazer toda a diferença na sua história. Bem como, para que eles possam presenciar de perto o que Deus pode fazer. Como será que as pessoas influentes que Daniel conversou foram impactadas com os desfechos dessas histórias? E como será que foi o impacto de todas as pessoas abaixo da influência desses líderes da época?

Lição 2: saiba ser irresponsavelmente ousado em alguns momentos decisivos

Daniel foi muito ousado em momentos específicos, leia-se MUITO OUSADO! Ao ler a história sabendo do final parece que é algo pensado e calculado, mas não foi. Daniel pode ser considerado até irresponsável com algumas atitudes que teve. Será que Daniel tinha certeza que se comesse somente vegetais e água ficaria mais forte do que os outros? Será que Daniel tinha certeza absoluta que Deus revelaria o sonho do rei quando pediu um prazo maior? Podemos ver a reação imediata de Daniel depois que conseguiu negociar o novo prazo. Em Daniel 2:17-18, vemos que a primeira coisa que ele fez foi compartilhar o problema com o restante do seu time. Ele sabia que não poderia fazer nada sozinho. Além disso, Daniel foi claro no seu direcionamento para eles: orar para que Deus revelasse o enigma. Isso sim que é a fé descrita em Hebreus 1. Daniel confiou em Deus sem ter a menor ideia do que poderia acontecer. Ele não tinha mais o que fazer a não ser orar e confiar na providência divina. A verdade é que o que permitiu com que Daniel tivesse essa ousadia extravagante foi a confiança inabalável no seu Deus. Daniel, mesmo sem saber o que iria acontecer, tinha certeza que Deus daria um jeito pois estava convicto do seu chamado. Daniel sabia que Deus era com ele e não tinha como dar errado, a menos que Deus assim quisesse. Um outro ponto muito interessante é que fazendo o que Daniel fez, ele não estava só livrando a barra dele e dos seus amigos, mas salvando também todos os “picaretas” da época, os limitados magos e sábios que não conseguiram interpretar o sonho do rei. Daniel foi altruísta, amou seus inimigos, salvou a vida deles e ganhou o respeito de todos por tabela, como consequência da sua fé. Outra reação marcante de Daniel foi quando Deus respondeu sua oração e revelou o sonho do rei. Daniel podia fazer tanta coisa. Ele podia ter ido contar aos amigos, podia ter gritado, podia ter postado nas redes sociais da época. Mas a Palavra diz que ele “louvou o Deus dos céus e disse: Louvado seja o nome de Deus para todo o sempre; a sabedoria e o poder a Ele pertencem”. Ou seja, Daniel se rendeu em adoração e reconheceu que não foi ele mesmo quem venceu, mas sim Deus. Qual é a primeira coisa que você vai fazer quando comemorar a vitória? Você está disposto a confiar e depender completamente de Deus mesmo quando a conta não bater e o racional não resolver?

Lição 3: perca a noção de quem é a pessoa com quem você está falando

Tenho falado em algumas ministrações sobre essa cultura brasileira do excesso de humildade. Muitas vezes nós achamos europeus, americanos e afins muito superiores do que nós. Achamos que eles possuem maior capacidade de liderar, mais conhecimento e preparo. Tudo bem, pode até ser verdade em muitos casos. Mas esse respeito em excesso traz uma consequência que gera medo. Nos sentimos inferiores e isso atrapalha toda a nossa comunicação. Em todo o tempo, Daniel deixa claro quanto a quem é o seu Deus e que toda capacidade dele está no Pai. Daniel se posicionou com muito jeito com todas as autoridades com quem ele falou, mas nunca precisou encobrir a verdade de quem ele era, não precisou dizer palavras obscuras ou meias verdades. Daniel se posicionou, se comunicou como um líder, usando toda a autoridade de ser um homem chamado por Deus para mudar a história da sua nação. Ele sabia qual era sua vocação, sabia quais eram dos seus dons e talentos, seus pontos fortes e os usou para a glória de Deus. Daniel falou com pessoas muito mais importante do que ele de igual para igual, sem medo. Ele não precisou ser agressivo, assim como não foi excessivamente humilde. Daniel foi equilibrado, justo, assertivo, objetivo, transparente, ousado e destemido. Ou seja, não importa se a pessoa que está na reunião com você possui muito mais títulos, anos de experiência e qualificação. Se comunique com respeito, mas sem bloqueios quanto as suas convicções. Se posicione como quem você é, deixe seu olho brilhar mesmo, se divirta em tudo o que você fizer. Perca a noção de quem é a outra pessoa, ela não é seu oponente. É isso mesmo: seja leve, autêntico e verdadeiro! Você não acha que pode conquistar pessoas em um curto espaço de tempo como uma consequência ao simplesmente ser quem Deus quer que você seja?

Daniel foi um grande líder, mesmo com seus 20 e poucos anos. Ou seja, você não precisa ficar velho para ser um líder na sua geração. É claro que a bagagem dos anos faz toda a diferença, mas Daniel já tinha seu estilo de liderança formado ainda bem jovem. E diga-se de passagem, um estilo muito bem desenvolvido para alguém de tão pouca idade, não? Isso me fez refletir sobre os líderes jovens que conheço. Quais as pessoas com menos de 30 anos que me inspiram em liderança? Poucos, muito poucos. Talvez a nossa geração precise de mais material e orientação sobre isso, assim como Paulo disse a Timóteo em 1Tim 4:12: “Que ninguém menospreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, no procedimento, no amor, na fé, na pureza”. Jovem, ouse liderar!

Por Paulo Humaitá, missionário do PEM

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