Esse grupo surgiu a partir de 1999 quando houve a primeira Consulta sobre o Cuidado Pastoral do Missionário, organizado pela AMTB e APMB em Foz do Iguaçu. Fomos privilegiados com a presença de pessoas experientes como Kelly O’Donnel, Marjorie Foyle, Bill Taylor e outros. Márcia Tostes, João Marcos Cardoso de Sousa e Antonia Leonora van der Meer, estiveram presentes, já estavam comprometidos com essa causa e ficaram muito inspirados e encorajados com o que ouviram e aprenderam. A partir daí está surgindo, pouco a pouco esse grupo comprometido com o Cuidado Integral do Missionário.

Podemos perguntar: Mas por que o missionário deve ser alvo de cuidados especiais? Ele não é uma pessoa chamada por Deus, sustentada e capacitada por Deus? É, mas continua sendo um ser simplesmente humano, não mais nem menos forte que os outros cristãos. E vive situações muito mais desafiadoras e difíceis. E vive essas situações sem todos os grupos de apoio que teria em casa: a família, a igreja, os amigos, etc. O missionário deixa tudo que lhe é familiar para integrar-se em culturas estranhas, onde não sabe falar, não sabe como se comportar, não entende a maneira do povo pensar, não entende os hábitos religiosos do povo. Só esse desafio de integrar-se, de encarnar-se numa cultura, língua e contexto estranho, respeitando e amando pessoas tão diferentes já causa um desgaste emocional e psíquico muito grande.

Mas o missionário não está simplesmente ali para sobreviver, ele/a deseja fazer diferença, ser uma bênção, comunicar uma mensagem. Aí entra toda uma nova série de desafios. Mesmo que o povo esteja aberto, eles já tem sua maneira de interpretar o mundo e a realidade e provavelmente vão ouvir uma mensagem diferente do que o missionário pensa transmitir. Assim ele/a precisa estar muito atento/a para perceber o que estão ouvindo, e assim continuar comunicando de forma cada vez mais compreensiva. Mas muitos povos sentem a presença missionária como ameaça a sua religião, a sua família, a sua identidade, e aí surgem reações muito mais fortes, e por vezes agressivas, e é necessário aprender a lidar com elas de maneira sábia, paciente, com oração, respeito e amor.

Além disso devemos pensar no contexto. Muitos missionários são chamados para contextos onde predomina a violência, a guerra, extrema pobreza e miséria, corrupção, abuso de poder, abuso sexual, seqüestros. Há também situações onde o HIV/AIDS se tornou endêmico, morrem pais, mães, crianças, outras tantas ficam viúvas e surge uma sociedade desestruturada, e muito carente. Além de AIDS também a malária, a doença do sono, e outras enfermidades como a gripe das aves são uma ameaça constante à vida. Como servir bem, no amor de Jesus, em tais contextos?

Outro grande desafio são os filhos dos missionários, possibilidades e dificuldades em providenciar estudos, o fato de se adaptarem a outra cultura e depois se sentirem estranhos em seu país de origem.

Tudo o que foi descrito acima dá umas poucas pinceladas no que significa ser missionário transcultural. Sem uma preparação adequada, tanto bíblica como missiológica como também espiritual e psicológica fica muito difícil o missionário enfrentar e permanecer firme em tais situações. Mas não é só a preparação pré-campo que é importante, o missionário precisa ser acompanhado e sustentado pela sua igreja, o que inclui o sustento financeiro adequado e fiel, mas vai muito além. Ele deve saber que há pessoas que sabem o que ele está passando, que lêem suas cartas e mensagens, que oram todos os dias, que respondem como podem a suas necessidades, que não o deixam sozinho. Mesmo com o melhor apoio possível de sua igreja e agência surgem situações mais difíceis que o deixam confuso, surge sobrecarga de trabalho, surgem relacionamentos desgastantes e outras dificuldades e chega a hora em que ele precisa de cuidado pastoral, ou psicológico, precisa de momentos de restauração e de repouso. E é por isso que o grupo surgiu e procura servir os missionários, de qualquer campo, agência ou igreja.

Pessoas desse grupo tem trabalhado no preparo do missionário pré-campo, tem visitado missionários no campo, organizado encontros de restauração para missionários, tem praticado o “debriefing”, um ouvir focalizado nas experiências e lutas do missionário, uma oportunidade para este desabafar, e expressar suas dúvidas, dores e angústias. Além disso, temos organizado consultas para líderes que querem cuidar melhor de seus missionários. E tem sido publicado um fórum por e-mail com artigos para orientar e inspirar pessoas que querem cuidar de missionários, e para os próprios missionários. Temos alguns endereços onde missionários cansados podem ir e passar um tempo para repouso, recebendo apoio pastoral. E promovemos a publicação, pela Descoberta, do livro: O Cuidado Integral do Missionário, uma versão adaptado do original em inglês, editado pelo Kelly O’Donnel. Algumas pessoas do grupo estão pensando especificamente no apoio a filhos de missionários.

Nosso grupo é composto por missionários experientes, por líderes de agências, por pastores, treinadores, e psicólogos. Quem deseja maiores informações por favor entre em contato conosco através da Celi Santos, email: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

.

Envie perguntas, sugestões, testemunhos, compartilhe suas dores, encaminhe-nos pessoas que precisam de apoio. Não prometemos oferecer a solução para todos os problemas, mas faremos o possível para ajudar.