A relevância do aprendizado e uso da língua falada pelo povo com o qual você tenciona interagir é acentuada, seja para uma boa interação social ou para o desenvolvimento de um projeto. Nenhuma pessoa poderá de fato comunicar uma mensagem relevante, profunda e complexa, senão na língua daquele que ouve. Qualquer outra tentativa, mesmo que pontualmente viável, virá com certo grau de frustração e prejuízo.

Um dos maiores equívocos no processo do aprendizado de uma nova língua é distinguir a aquisição lingüística da aquisição cultural. A língua é uma expressão cultural e, deste modo, está revestida de simbolismos, cosmovisão, costumes e história. Aprender uma língua em ambiente de gabinete dificilmente levará alguém ao trânsito livre
entre o povo-alvo. É necessário, portanto, que a aquisição cultural caminhe de mãos dadas com a aquisição linguística.

ADAPTAÇÃO CULTURAL E O APRENDIZADO DE LÍNGUAS
O chamado choque cultural é um fator reacionário que pode inibir o aprendizado de uma nova língua. Nesta fase, se for acentuada, o estudante passa a ter dificuldades de estar e transitar entre o povo. Também não se sente fortalecido emocionalmente o suficiente para aprender a nova língua com alegria. Algumas atitudes colaboram para que você possa tanto se adaptar melhor ao novo contexto quanto à nova língua. Vão adiante alguns conselhos.

Considerações culturais no aprendizado da língua

Não faça de sua moradia um lugar de refúgio.

Portanto, transite pela comunidade, esteja (se possível) na casa das pessoas e vizinhos, reúna-se com outros em lugares públicos e freqüente seus ambientes de trabalho. Quando a casa se torna um local de refúgio a tendência do estudante de uma nova língua, que se encontra em ambiente distinto, é criar ali um cenário de exclusão, ausente do povo. Abra as portas de sua casa (respeitando os seus próprios limites de privacidade) para que eles também
freqüentem sua habitação.

Controle a visão crítico-comparativa.

Ela pode impedir uma adaptação mais rápida e fácil. Comparar os elementos de vivência (moradia, relacionamento, perfil, alimentação, etc.) do grupoalvo, ou de seu ambiente, com a sua cidade, casa ou país é um erro fatal que gerará apenas um coração pesado com dificuldade de aproveitar as belas
oportunidades de convivência e aprendizado.

Não transforme o seu companheiro em intérprete cultural e lingüístico.

É natural que, se vocês forem casados ou companheiros de estudo dessa nova língua, um se desenvolva mais rapidamente que o outro. Raramente pessoas caminham no mesmo ritmo. Assim, não transforme o seu companheiro de estudo, que estiver um pouco mais à frente ou demonstre mais facilidade, em seu intérprete cultural e lingüístico. Tenha suas próprias experiências, cometa seus próprios erros e se relacione diretamente com o povo. Lembre-se que o povo é a melhor fonte de informação, e na coleta dessa informação (mesmo que já esteja acessível com o companheiro ao lado) você ganha na interação humana, relacionamento e aprendizado lingüístico.

Ande diariamente dentro da circunferência cultural.

Exponha-se ao povo, cultura e ambiente onde você está inserido no aprendizado de uma nova língua. Planeje que horário você irá sair, diariamente, para andar e estar na circunferência cultural. Este planejamento é importante sobretudo para aqueles que são mais retraídos ou preferem estar em casa. Ao se relacionar com outras pessoas e praticar a língua que está aprendendo saiba que cometerá muitos erros, eles são necessários neste processo. Tenha senso de humor.

Mantenha-se aberto a novos costumes e sistemas.

O tempo e a forma irão mudar se você estiver inserido em um povo com grave distinção cultural. E talvez estes dois, tempo e forma, sejam os elementos que mais geram desconforto. Se a forma de transmitir conhecimento é por meio da repetição, em um ambiente de tempo cíclico por exemplo, acostumese a ouvir a mesma história 15 vezes por noite. A melhor maneira de minimizar o desconforto relacionado ao tempo e à forma é a participação.

Adapte-se, para que se sinta bem e integrado ao contexto.

Adaptar não é criar conceitos de diversão, modo de vida, moradia, etc., mas transferir seus conceitos formados e encaixá-los na cultura em que você se encontra. Depressão, sentimento de perda, saudades e sentimento de incapacidade nos primeiros meses possivelmente ocorrerão. Em algum nível alguns destes sintomas devem acontecer. Tenha paciência durante este período de adaptação, ore e peça que o Senhor o ajude a perseverar.

* Este texto é uma colagem de partes do texto de Ronaldo Lidório, com sua permissão. Veja e se desejar compre o texto em www.instituto.antropos.com.br/e-books
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2. SEM TER COMO RESPONDER

Uma das experiências mais esquisitas que já tive com línguas, e olha que eu adoro línguas, foi em Los Angeles. Eu e o Timóteo gostamos de passear, ver coisas diferentes, e fomos conhecer China Town. Achei tudo meio antigo, muitos dragões, coisas do tipo. Mas, gostamos de conhecer. Na saída, eu vi umas hortelãs crescendo na beira da calçada e resolvi pegar uns raminhos para um chá.

Duas chinesas mais velhas se aproximaram e despejaram sua reação em sons que para mim não faziam o menor sentido. Parecia que me excomungavam até a milésima geração! Talvez dissessem: “Sua diaba estrangeira! Como pode vir roubar nossa hortelã? Suma do nosso bairro, e não volte nunca mais!” Mas pode ser que, na verdade, diziam: “Essa hortelã era pra filhinha da nossa amiga. Está com seis meses de idade e queríamos que ela experimentasse! Plantamos há três meses, e quando as primeira folhinhas estavam bonitas, você vem e pega?”

E eu, parada, boquiaberta diante delas, poderia ter dito: “Lá no Brasil, meu país, a gente gosta de hortelã. É bom para um chá, especialmente com erva cidreira. Ajuda a levantar os ânimos! Isso me lembra da minha avó. Estou com saudades do Brasil, e já que estava na calçada, achei que não teria problema….

Poderia ter dito isso… Mas não pude, faltou a língua! Saí de fininho, bem sem graça.
Sei que vocês passam por situações de desentendimento em seus ministérios. É normal, e nem sempre é por falta da língua. Mas, sem a língua, até suas melhores intenções ficarão perdidas no mistério de sons ininteligíveis e palavras pensadas que nunca encontrarão expressão.
Por isso, invistam em conhecer a língua e a cultura, as expectativas e as intenções do povo a quem Deus os enviou! E que vocês jamais sejam pegos “sem ter o que responder”! Um abraço,

Marta Carriker
3. OUTROS ASSUNTOS PARA 2009
1. Treinamento profissional antes de ir a campos “fechados” para obreiros
2. Missionários no campo, sem preparo
3. Criando crianças com necessidades especiais

Se você tem algo a dizer sobre qualquer um desses assuntos, mande para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. e contribua para tornar o fórum mais relevante para todos!!! Deus o abençoe!
4. LINK PARA ENTREVISTA COM JOÃO MARCOS

Como muitos sabem, o João Marcos tem sido parte desse ministério de Cuidado Integral dos Missionários há muitos anos. Ele deu uma entrevista à Ultimato que está “imperdível”. Recomendada por Cecilia da JAMI. Dê uma olhada: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&secMestre=2488&sec=2507&num_edicao=320

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